Goiana sofre golpe ao tentar conseguir documentos de imigração nos EUA; suspeitos foram presos

Goiana sofre golpe ao tentar conseguir documentos de imigração nos EUA; suspeitos foram presos


Goiana que vive nos EUA caiu em um golpe de empresa que simulava fornecer serviços de assessoria a imigrantes
Arquivo pessoal
Uma goiana está entre as vítimas de um grupo de brasileiros suspeitos de aplicar golpes em imigrantes que tentam obter documentos para regularizar suas situações nos Estados Unidos. Em entrevista ao g1, a jovem, que pediu para não ser identificada, contou que perdeu US$ 1.825, cerca de R$ 9 mil. O prejuízo só não foi maior porque ela percebeu que havia algo estranho e interrompeu os pagamentos. O grupo foi preso pela Polícia da Flórida na última semana.
Segundo a moça, que mora no Texas, o golpe começou no segundo semestre do ano passado. Ela viu na internet uma propaganda da empresa chamada B Consulting, que prometia serviços para auxiliar imigrantes nos processos de solicitação de permanência no território americano. Durante as tratativas, porém, ela soube que os serviços, na verdade, envolviam a empresa Legacy Imigra.
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“Eu fugi da Legacy porque já havia um burburinho de que a Legacy estava fazendo ‘fast food’ de documentos. Quando eu fechei o contrato e eles me pediram para enviar o material pra Legacy, eu: ‘Peraí. Com a Legacy?”, relatou.
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O g1 tentou contato com a B Consulting, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Já a Legacy Imigra ainda não foi localizada. O site da empresa está desativado, exibindo a mensagem “em manutenção”. A defesa dos brasileiros presos também não foi encontrada.
A goiana relata que o tempo todo tratou com mais de um consultor. Os atendimentos eram feitos por mensagens, no Whatsapp.
Os brasileiros presos pela polícia foram:
Ronaldo de Campos;
Vagner Soares de Almeida;
Juliana Colucci;
Lucas Trindade Silva.
Segundo a polícia, os quatro seriam os líderes do esquema fraudulento. A investigação começou após denúncias recebidas pela Ordem dos Advogados da Flórida, em setembro.
Juliana e Vagner são casados. Os pagamentos eram feitos para uma conta de Vagner, conforme consta nos comprovantes das transferências feitas pela goiana. E o sobrenome de Juliana, “Colucci”, aparece no único email informado pela empresa a ela.
Brasileiros presos pela polícia da Flórida, acusados de aplicar golpe em brasileiros imigrantes nos EUA.
Reprodução/Orange County
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Pedido de asilo
A jovem saiu de Goiânia para os Estados Unidos há quatro anos e meio, com visto de turista. Como decidiu permanecer no país, ela começou a estudar em uma escola de inglês. Depois, decidiu aplicar para uma faculdade. No decorrer do processo, porém, houve uma perda de prazo por parte da instituição.
Diante disso, a moça contratou os serviços de um advogado, também brasileiro, que não tinha nenhuma ligação com a Legacy, para dar entrada em um pedido de asilo, por ela ter sido vítima de “stalking” (perseguição) no Brasil.
“Havia um stalker louco, no Brasil, que ficou me perseguindo por muito tempo. Eu dei parte na polícia, na época, mas não havia ainda a lei do ‘stalking'”, contou.
🔎 Stalking é uma perseguição obsessiva considerada crime no Brasil desde 2021. O crime envolve a prática repetitiva de perseguição no meio físico ou virtual de forma que ameace a integridade física ou psicológia da pessoa perseguida.
Trecho do contrato enviado pela Legacy Imigra à goiana que mora nos EUA, referente aos serviços do processo de pedido de asilo
Arquivo pessoal
Esse advogado, porém, segundo a goiana, não fez o serviço. Foi quando ela soube dos serviços da B Consulting, que custariam, no total, US$ 3.200. Em outubro de 2025, ela começou a pagar, dando uma entrada de US$ 1 mil seguida de oito parcelas de US$ 275.
“Só que o meu caso não chegou nem a ser aplicado. Eles receberam o meu dinheiro em outubro do ano passado e nunca entraram com o meu processo”, disse.
Desconfiada, ela parou de pagar as parcelas em janeiro deste ano. Ao g1, a goiana contou que há cerca de três semanas recebeu uma ligação de um rapaz, cobrando o restante dos pagamentos. Ela respondeu que não pagaria mais nada porque não confiava mais na empresa, uma vez que eles não davam nenhuma informação do andamento do processo. “Eu falei que queria o meu dinheiro de volta. E aí eles desapareceram”, contou.
Agora, a jovem busca regularizar a sua situação de outra forma, convivendo, porém, com o temor de ser alvo das ações de fiscalização do governo de Donald Trump contra imigrantes que ainda estão irregulares.
Ela relata que o que mais a entristece é saber que houve várias vítimas além dela. “É uma situação muito delicada. Muita gente vai perder muito dinheiro que eu. Como a pessoa vai dar a cara a tapa e dizer: ‘olha, estou ilegal, mas entrei com processo para me regularizar’?”, desabafa.
Quatro crimes
Em um vídeo publicado em seu perfil do Instagram, o xerife John Mina, responsável pela operação que prendeu os brasileiros, afirmou que eles vão responder por quatro crimes:
Crime organizado;
fraude organizada;
extorsão;
exercício ilegal da advocacia.
Segundo Mina, o grupo teria arrecadado mais de US$ 20 milhões em três anos.
“Eles basicamente ficaram ricos através de um modelo de negócio baseado em manipulação, fraude, mentiras e extorsão”, afirmou.
O xerife afirmou que a maioria das vítimas eram brasileiras. Até aquele momento, há três dias, sete vítimas tinham colaborado com as investigações da polícia, mas Mina acredita que esse número é muito maior. Segundo ele, cada vítima perdeu entre US$ 2.500 e US$ 26 mil.
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Foto de Leonice Santos

Leonice Santos

Criadora de conteúdo digital

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