
Narges Mohammadi
Reuters
Narges Mohammadi, iraniana vencedora do Nobel da Paz, começou a fazer uma greve de fome na prisão na segunda-feira (2), informou sua organização nesta quarta-feira. Ela foi presa em dezembro de 2025 pelo regime Khamenei.
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Em pronunciamento compartilhado com a TV norte-americana “CNN Internacional”, a Fundação Narges Mohammadi afirmou ter recebido informações confiáveis do início da greve de fome da ativista “em protesto contra sua detenção ilegal e as condições graves em que está sendo mantida, realidades enfrentadas por inúmeros presos políticos atualmente detidos no Irã”. A fundação, sediada em Paris, compartilhou a notícia da greve de fome em suas redes sociais.
Mohammadi, de 54 anos, é uma das líderes da luta histórica das mulheres no Irã contra a opressão do atual regime e as leis rígidas a iranianas. Ela se tornou a grande voz da chamada revolução feminina do país do Oriente Médio em reação à morte de uma jovem presa por conta do uso incorreto do véu islâmico. (Leia mais abaixo)
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Revolução feminina
Quem é Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel da Paz de 2023
Ela também se tornou a grande voz dos protestos no Irã desencadeados pela morte de Mahsa Amini em 2022, nos quais mulheres desafiaram abertamente o governo ao se recusarem a usar o hijab.
A jovem de 22 anos viajava de férias com a família pelo Irã quando foi abordada pela chamada polícia da moralidade — que fiscaliza o cumprimento das normas de vestimentas impostas a mulheres iranianas.
Ela foi presa por “uso incorreto” do véu, segundo a polícia iraniana. Dois dias depois, sob custódia policial, foi internada em estado grave, com lesões na cabeça, e morreu no hospital.
A morte desencadeou um dos maiores movimentos contra o regime do Irã, acusado de oprimir mulheres. Essas foram as manifestações desde a Revolução Islâmica de 1979. Ao todo, mais de 500 pessoas foram mortas e 20 mil foram presas.
Como simbolismo, as mulheres começaram a retirar o véu — cujo uso, no Irã, é obrigatório — e queimá-lo em protestos. Mohammadi e três outras prisioneiras queimaram seus véus em memória do aniversário da morte de Amini e publicou um texto no Instagram, administrado por sua família, contra o véu obrigatório:
“Neste regime autoritário, a voz das mulheres é proibida, o cabelo das mulheres é proibido (…) Não aceitarei o hijab obrigatório”.







