
Jornalistas participam de coletiva de imprensa com o presidente Donald Trump em 25 de abril de 2026
REUTERS/Jonathan Ernst
O Brasil subiu cinco posições no ranking global de liberdade de imprensa e ultrapassou os Estados Unidos pela primeira vez, segundo levantamento do Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgado nesta quinta-feira (30). Atualmente, o país está na 52ª posição, enquanto os norte-americanos caíram para a 64ª.
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O ranking avalia a situação de 180 países e usa indicadores econômicos, legislativos, de segurança, políticos e sociais para medir o estado da liberdade de imprensa no mundo. Neste ano, a ONG afirmou que o mundo registrou o nível mais baixo de liberdade de imprensa em 25 anos.
Segundo a RSF, o Brasil tem apresentado um movimento contrário, principalmente em relação à América Latina, onde vários países mergulharam “em uma espiral de violência e repressão”.
“Apesar de algumas recuperações nos últimos anos, como a do Brasil, a história recente da liberdade de imprensa no continente em geral é marcada por duas tendências: o aumento da violência cometida por agentes do crime organizado e a violência proveniente de forças políticas”, diz o relatório.
Desde 2022, o Brasil subiu 58 posições no ranking. No ano passado, a liberdade de imprensa brasileira estava na 63ª posição.
Em 2021, o Brasil atingiu o pior índice: ficou na 111ª posição e entrou na chamada zona vermelha do ranking, considerada “situação difícil”. Agora, o país ainda é classificado como em “situação sensível”, mas em uma posição melhor.
Enquanto isso, os Estados Unidos caíram no ranking pelo quarto ano seguido. Em 2022, os norte-americanos estavam na 42ª colocação, em situação relativamente boa. No ano passado, o país estava na 57ª posição, em situação sensível. Agora, caíram para a 64ª posição.
A RSF disse que a queda já vinha acontecendo por causa das dificuldades econômicas enfrentadas por jornalistas e por uma crise de confiança do público. Agora, foi acentuada pelo uso da máquina pública pelo governo de Donald Trump contra jornalistas e veículos de imprensa.
“Desde seu retorno ao poder, os jornalistas também passaram a ser alvo durante manifestações, o que reflete uma deterioração mais ampla que constitui uma das crises mais graves para a liberdade de imprensa na história moderna dos Estados Unidos”, diz o relatório.
“Os Estados Unidos de Donald Trump estão saindo completamente do controle.”
Situação no mundo
Mapa mostra situação da liberdade de imprensa no mundo
RSF
O RSF informou que mais da metade dos países está com a liberdade de imprensa em “situação difícil” ou “muito grave”. Parte dessa deterioração se deve a mudanças nas políticas de segurança nacional, que dificultaram coberturas de interesse público e corroeram o direito à informação.
“O próprio jornalismo está morrendo, sufocado pela retórica política hostil aos repórteres, enfraquecido por uma economia midiática em dificuldades e pressionado pela instrumentalização de leis contra a imprensa”, diz o relatório.
A ONG aponta que, em 2002, 20% da população mundial vivia em países onde a situação da imprensa era considerada “boa”. Agora, apenas 1% está em nações com liberdade de imprensa favorável.
Assim como no ano passado, apenas sete países receberam a classificação de “boa situação” de liberdade de imprensa. O ranking é liderado pela Noruega, que manteve o primeiro lugar, seguida por Países Baixos, Estônia, Dinamarca e Suécia.
Por outro lado, guerras pioraram a situação em países em conflito, como Israel e Sudão, por causa da morte de jornalistas. Já a América Latina, mesmo sem estar em guerra, despencou no ranking por causa da violência contra profissionais de imprensa, principalmente por parte do crime organizado.
Enquanto isso, países autoritários ocupam as piores posições do ranking. A Eritreia recebeu novamente a pior pontuação, seguida por Coreia do Norte, China, Irã e Arábia Saudita.
Veja, abaixo, o ranking com os 20 melhores e os 20 piores países para a liberdade de imprensa, segundo o estudo da RSF:
20 melhores
Noruega
Países Baixos
Estônia
Dinamarca
Suécia
Finlândia
Irlanda
Suíça
Luxemburgo
Portugal
Tchéquia
Islândia
Liechtenstein
Alemanha
Lituânia
Bélgica
Letônia
Reino Unido
Áustria
Canadá
20 piores
Eritréia (180º)
Coreia do Norte (179º)
China (178º)
Irã (177º)
Arábia Saudita (176º)
Afeganistão (175º)
Vietnã (174º)
Turcomenistão (173º)
Rússia (172º)
Azerbaijão (171º)
Bahrein (170º)
Egito (169º)
Nicarágua (168º)
Djibuti (167º)
Birmânia (166º)
Belarus (165º)
Iêmen (164º)
Turquia (163º)
Iraque (162º)
Sudão (161º)
Outros destaques
França (25º)
Uruguai (48º)
Brasil (52º)
Itália (56º)
Japão (62º)
Chile (70º)
Paraguai (88º)
Argentina (98º)
Israel (116º)
Venezuela (159º)
Cuba (160º)
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