
IA acelera guerra de memes entre EUA e Irã
Em meio a um cessar-fogo que já dura duas semanas, Irã e Estados Unidos travam uma nova guerra: a de narrativas. Enquanto o presidente norte-americano fala em divisão na liderança iraniana, Teerã diz que o país está unido e acusa adversários de promover uma propaganda mentirosa.
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Na terça-feira (21), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o governo do Irã está “seriamente fragmentado” e, por isso, suspenderia ataques ao país até que líderes iranianos apresentem uma proposta unificada nas negociações de paz.
Nos dias seguintes, Trump insistiu no tema. Na quinta-feira (23), ele disse em uma rede social que o Irã enfrentava dificuldades para definir quem era o líder do país.
“Eles simplesmente não sabem! A briga interna entre os ‘linha-dura’, que vêm perdendo FEIO no campo de batalha, e os ‘moderados’, que não são tão moderados assim (mas estão ganhando respeito!), é uma LOUCURA!”, publicou.
👉 As declarações de Trump vão ao encontro de informações apuradas pela imprensa americana com membros da cúpula do regime iraniano. Na quinta-feira, o jornal The New York Times publicou uma reportagem afirmando que generais da Guarda Revolucionária estão comandando o país.
A crise de poder no Irã começou logo após o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando um ataque conjunto de EUA e Israel matou o então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
Em uma tentativa de demonstrar unidade e agilidade, em menos de 10 dias o Irã anunciou que Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá, havia sido escolhido como novo líder supremo.
Por outro lado, Mojtaba também se feriu no ataque e segue sob cuidados médicos, apesar de estar lúcido. Um mês após ser nomeado, ele ainda não fez nenhuma aparição pública nem divulgou vídeos, áudios ou imagens.
Mojtaba está em um local secreto para se recuperar e tem feito apenas declarações por escrito, divulgadas nas redes sociais e pela imprensa estatal. Segundo o NYT, o líder iraniano quer evitar aparecer vulnerável e pode precisar de cirurgia plástica para reparar ferimentos no rosto.
Ainda de acordo com o jornal, Mojtaba participa das discussões do governo, mas são membros da Guarda Revolucionária que vêm tomando as principais decisões em temas de segurança, guerra e diplomacia.
A Guarda Revolucionária sempre teve papel central no regime iraniano. Os integrantes são classificados como “linha-dura” e, segundo o New York Times, acreditam que podem derrotar Estados Unidos e Israel na guerra.
De outro lado estão os mais moderados, que integram o chamado governo civil. Fazem parte desse grupo o presidente Masoud Pezeshkian — que defendia uma aproximação com os EUA quando foi eleito — e o chanceler Abbas Araghchi. Segundo o jornal, essa ala foi rebaixada a decisões internas.
Um sinal dessa divisão veio a público no sábado (18), quando Araghchi anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz.
A declaração foi criticada e desautorizada por uma agência estatal ligada à Guarda Revolucionária, que a classificou como “de extremo mau gosto”.
Ao mesmo tempo, Araghchi perdeu espaço nas negociações de paz com os EUA.
No lugar, o Irã passou a indicar como principal negociador o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, ex-general da Guarda Revolucionária.
Na quinta-feira, a rede de TV israelense C14 afirmou que generais da Guarda Revolucionária teriam promovido um “golpe militar silencioso” e isolado o líder supremo, que teria perdido poderes executivos.
Reação iraniana
Cerimônia em Teerã marca os 40 dias da morte de Ali Khamenei, em 9 de abril de 2026
Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Oficialmente, o Irã nega estar com o governo fragmentado. Assim que Trump passou a afirmar que o país não tinha um líder definido, a imprensa estatal e integrantes da cúpula passaram a defender a unidade e acusar “inimigos” de propaganda.
1️⃣ Na quarta-feira (22), Seyyed Mehdi Tabatabaei, vice da área de comunicações do gabinete do presidente iraniano, disse que eram falsas as alegações de desentendimento e divisão entre as principais autoridades do país.
Em comunicado divulgado pela PressTV, emissora ligada ao regime, ele afirmou que a narrativa de desunião faz “parte de um jogo político e de propaganda bem planejado pelos inimigos do Irã”. Segundo Tabatabaei, há unidade e consenso “incomparáveis e exemplares”.
“Em vez de fabricar mentiras, deveriam parar de quebrar promessas, praticar intimidação e hipocrisia. A porta para negociações baseadas em justiça, dignidade e racionalidade permanece aberta.”
Nas horas seguintes, a emissora continuou publicando mensagens sobre união nacional.
Em um post no Telegram, em inglês, na quinta-feira, a PressTV afirmou que o Irã estaria com “todas as cartas” nas mãos.
O país está “vitorioso no campo de batalha, unido internamente e armado com ativos estratégicos inegociáveis, o que lhe permite ditar termos e buscar concessões do inimigo”, diz a publicação.
2️⃣ O líder supremo Mojtaba Khamenei também divulgou mensagem no mesmo sentido. Ele elogiou a “extraordinária unidade” entre os iranianos e afirmou que é o “inimigo” que enfrenta fissuras.
“A operação midiática do inimigo, ao mirar a mente e o psicológico da população, busca prejudicar a unidade e a segurança nacional. Não permitamos que, por descuido, essa intenção maligna se concretize”, disse.
3️⃣ Mais tarde, foi a vez do presidente do Irã se manifestar nas redes sociais. No X, Masoud Pezeshkian afirmou que não existem “linha-dura” ou “moderados” no país, em resposta às declarações de Trump.
“Somos todos iranianos e revolucionários. Com a unidade inabalável entre nação e Estado e a obediência ao Líder Supremo, faremos o agressor se arrepender.”
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